EM BUSCA DOS AROMAS E SABORES (4)
RUMO A CADAQUÉS

Sol? Nem um raio. Frio? Um pouco. Tinha de me fazer á estrada e confesso que estava com algum receio.
Se até Figueres o percurso era relativamente fácil, porque conhecido, a estrada até Cadaqués era-me desconhecida. Sabia que era de montanha. Fizera-a há muitos, muitos anos.
Estou habituada a estradas de montanha porque nasci em Castanheira de Pêra – bem perto da Serra da Lousã. LINDO! - e, desde muito jovem, conduzi em zonas de “curvas a que seguem outras e outras e outras curvas...” Não estava, no entanto, muito tranquila.
Ainda era noite e tinha de chegar à Igreja de Santa Maria de Cadaqués às 8h45, caso contrário, não assistiria a um recital de órgão a que se seguia “Música i Dansa Sufi”, novidade para mim.
Não podia perder! Respirei fundo e lancei-me à estrada.
Assisti ao nascer do sol. Ao " levantar da nebelina", ao "desfazer do orvalho".
Ao longe, bem longe adivinhava-se o mar.
Montanhas a perder de vista, verdes e castanhos de nuances múltiplas foram a minha companhia ao longo de grande parte do percurso "Besalú - Figueres - Cadaqués". Um pouco de música, também, que sossegava os meus pensamentos à solta.
Devo dizer que a visita a Cadaqués estava prevista. Após o lançamento da fragrância Sun & Sea in Cadaqués, de Salvador Dalí, aquele "pueblo" junto ao mar reavivou-se na minha memória. Apetecia-me voltar.
Com cerca de 2600 habitantes, Cadaqués é um polo cultural por excelência. Ali acorrem, anualmente, milhares de turistas não só pela sua situação priveligiada, mas para conhecer o seu vasto património.
Na verdade, Cadaqués é História, Cultura, Arte, Natureza... Gastronomia.
Foi em Cadaqués ( Port lligat) que Salvador Dalí construiu uma casa que compartilhou com Gala; foi em Cadaqués que se encontrou com muitos intelectuais e artistas, que materializou grande parte da sua fantasia transformando-a em Arte; foi em Cadaqués que deu chão à sua forma de estar controversa, porque excêntrica. Uma excentricidade, aliás, que foi crescendo com o tempo...
Trobad de Diàleg - Interreligiós I Intercultural – Secularidat Sagrada”
Chegada a Cadaqués tinha duas questões imediatas a resolver: estacionar o carro e descobrir a a Igreja de Santa Maria. Não foi complicado. A organização do "Encontro" disponbibilizava parques gratuitos (!!) e as indicações não deixavam lugar a dúvidas sobre os locais onde decorreriam as várias "mesas redondas".
Por ruas estreitas, com flores nas janelas e varandas, cheguei à Igreja, edificada nos séculos XVI e XVII e dedicada à "Senhora da Esperança".
Uma pequena maravilha: talhas douradas, dezenas de querubins que parecem interagir, saudar-nos; um orgão secular; a "Senhora que nos sorri...ou não tenha Ela por nome a "Esperança".
Por ali fiquei. Saboreando as mensagens da música, tentando interpretar o gestual da dança Sufi.
Aliás, se os temas do "Encontro" eram apelativos e deveria optar por um (Ciência, Politica ou Espiritualidade), a comunicação de abertura -"Dimensions de La secularidad Sagrada" -, a cargo de Agustin Pániker foi uma verdadeira lição de Sapiência e Tolerância.
E foi com um espirito aberto, com o respeito pelas mais diversas opções ideológicas, espirituais ou religiosas que partilhei uma refeição oferecida pela Comunidade Sufi e usufruí de um leque "precioso" de interpretações musicais originárias de várias partes do mundo. O Sagrado e o Profano. De mãos dadas.
É complicado eleger esta ou aquela interpretação, como a mais bela. Vou reter algumas, por certo.
"Danza Duende - Entre El Cielo I La Terra" e "La Música que Dansa em el Cant", ficaram em mim.
Pela interpretação musical, elegância e simbolismo dos gestos, colorido das roupas e, sobretudo, beleza das vozes e das danças.
(Vale a pena procurar os sites de Germana Giannini (canto) e de Nuria Sala Grau e La NEGRA (dança)).

O sol começa a esconder-se, a noite aproxima-se rápida e fria. Um chá numa esplanada junto à praia, o "adeus" a alguns que de mim se aproximaram durante este "encontro" ( traduziram, simpaticamente, para castelhano o catalão que nem sempre me era perceptível), antecederam o regresso silencioso a Besalú.
Foi BOM. MUITO BOM!
(Vi o nascer e o pôr do sol, nessa cadência mágica...
Lavei os olhos com o azul calmo do mar...
Senti na brisa fresca o aroma do jasmim e dos gerânios que adoro...
Reli a mensagem do meu filho: BOA VIAGEM!)
A VISITAR:
- Igreja de Santa Maria de Cadaqués (estilo gótico)
- Casa Moseo Salvador Dalí ( Port Lligat)
- Moseo de Cadaqués
- Casa Serinyana (Seculo XX)
- Cap de Creus
Um Abraço. Até já.






