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Fragrâncias

Perfumes, Práticas e Discursos

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QR2 - No Outono não caem só as folhas.

Joana preciso que me dês a tua opinião acerca do que fazer quanto à queda de cabelo. Ainda não estou a fazer nenhum tratamento mas confesso que estou preocupada porque nos dois últimos meses tem sido abundante. Aguardo pela tua resposta. Muito obrigada.

Carina Branquinho, Coimbra

 

 

Carina, Andrea, Carla, … a quase todas as mulheres é dirigida a minha resposta de hoje.

O tema da queda surge ciclicamente e o final do Verão deixa antever tempos difíceis… porque no Outono não são apenas as folhas que caem.

A queda afecta muitas mulheres e homens. É um tema apaixonante e universal… por isso hoje a minha resposta será mais longa. No caso feminino, falamos habitualmente de eflúvio telogénico. O que é isto? É uma situação que pode resultar de múltiplas causas (pós-parto, dietas rigorosas, febre por um período prolongado, depressão…), uma delas a agressão que o nosso couro cabeludo sofre durante a época estival. Estamos, portanto, na altura certa para abordar o tema.

 

«Mas isto não é um mito?» Não.

Explicando: a radiação UV atinge o nosso bulbo piloso, no interior da nossa derme do couro cabeludo, e a excessiva formação de radicais livres provoca o «envelhecimento prematuro» do cabelo. Mas para que não confundam a normalidade com o «estado patológico», quero dizer-vos que a queda de 100 cabelos por dia pode acontecer normalmente. Considerando que temos 150.000 fios de cabelo, como em média caem 12% por dia, temos cerca de 18.000 cabelos a cair durante 6 meses o que dá 100/dia. Surpreendidas? Imagino que sim… mas se olharem para as vossas escovas e se derem ao trabalho de contar, verão que tenho razão.

Para que percebam melhor o que vos vais na cabeça… cada fio de cabelo vem de uma zona interna, o bulbo piloso, e tem cerca de 25 ciclos de vida. Isto significa que cada cabelo nosso só pode cair e voltar a nascer este número de vezes, em média. A vida de um cabelo compreende 3 fases, uma de crescimento (anagénese), uma de paragem de crescimento (catagénese) e uma última de desprendimento ou queda (telogénese). Quando os folículos iniciam a última fase, que dura aproximadamente 3-6 meses, o cabelo cai… e não há nada que o cole à cabeça. Se pensarem um pouco e recordarem, é durante este número de meses que sentem o cabelo cair, verdade? Se for mais, se suspeitarem de uma queda crónica e prolongada, que vem desde há meses, a minha resposta não é para vocês e recomendo desde já uma visita ao dermatologista pois podemos estar na presença de uma alopécia androgenética que requer diagnóstico precoce e uma actuação farmacológica conveniente.

 

Continuando, quando estamos com queda de cabelo temos um maior número de cabelos na fase de desprendimento e por isso o fenómeno torna-se visível: é o ralo da banheira cheio de cabelos, é a almofada ao acordar, é o casaco de malha no final do dia… vamos travar isto já!

É na fase de crescimento que dura 3-6 anos, que os cuidados antiqueda vão actuar: para prolongar a vida do cabelo. E claro que devem aplicá-los logo que sentem os primeiros cabelos a cair, ou se suspeitam que vão, mais uma vez, sofrer deste grande transtorno chamado queda.

O objectivo dos cuidados antiqueda, presentes nas nossas farmácias, é nutrir com vitaminas e minerais as células do folículo piloso, evitar a formação de radicais livres, promover a divisão celular que levará à formação do cabelo, aumentar o fluxo de sangue no couro cabeludo (podem causar calor após a aplicação) e os top, verdadeiramente high-tech, prolongar a vida das células estaminais do folículo… são verdadeiras proezas biotecnológicas.

Os cosméticos são, para o eflúvio telogénico, a melhor opção. Têm mecanismos de actuação similares às drogas mas um nível de segurança máximo garantido. Podem ser usados por longos períodos de tempo sem riscos e como manutenção do tratamento. São agradáveis e fáceis de aplicar. Cuidam o cabelo no seu todo.

 

«Como escolher um bom antiqueda?»

«Que componentes devo valorizar?»

 

 

Eu recomendo a associação de um cuidado tópico com um suplemento alimentar específico para as fâneras, que não devem sobrepor a outros. No rótulo devem verificar a presença de: vitaminas C, E, B2, B5, B6, B8, ácidos gordos essenciais do tipo ómega 3 e ómega 6; aminoácidos como a cisteína e outros enxofrados.

 

 

 

 

Nos cuidados cosméticos, que se apresentam em ampolas, sprays, e devem ser sempre complementados com um champô, devemos escolher os que contiverem: Serenoa (Serenoa serrulata; Serenoa repens); Castanheiro da Índia (Aescullus hippocastanum); Batata (Solanum tuberosum); Shiitaké (Lentinu edodes); silício; zinco; ginkgo biloba; rosmaninho; salva; limão; maçã.

 

 

 

 

Os champôs antiqueda das linhas dos cuidados específicos são formulados com alguns componentes comuns. Antes de entrarem na banheira, escovem bem o cabelo para activar a microcirculação no couro cabeludo. Apliquem o champô apenas quando o cabelo já estiver bem molhado. Devem massajar delicadamente e deixar actuar. Se necessário reaplicar.

 

 

 

 

Certa de que estão cheias de vontade de sair de casa e dirigirem-se à farmácia de serviço, e que a leitura das cartonagens vos levará algum tempo e a conversa como o Farmacêutico também, não vos demoro mais. Sejam persistentes. Garanto que o resultado final será uma bonita e farta cabeleira.

 

Espero ter ajudado!

 

 

 

 

Recapitulando a receita:

  • Escovagem diária do cabelo.
  • Suplemento alimentar específico fâneras (segundo a posologia do fabricante).
  • Cuidado intensivo antiqueda (segundo a posologia do fabricante).
  • Champô cuidado antiqueda (bem massajado na lavagem que acontece no dia da aplicação do cuidado antiqueda)
  • Alimentação equilibrada.

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