Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fragrâncias

Perfumes, Práticas e Discursos

Fragrâncias

Perfumes, Práticas e Discursos

UMA BOA GARGALHADA

 

 FAZ BEM. MUITO BEM!

 

Confesso que não sigo novelas televisivas. Não tenho paciência, nem tempo. Não consigo entender as "dependências".

 

Vão lá muitos anos segui, com alguma assiduidade, uma - Gabriela, Cravo e Canela - inspirado na obra de Jorge Amado.

Não fui só eu. Foram muitos e dizia-se que havia reuniões ministeriais suspensas para ver a Gabriela (Sónia Braga).

Porquê? Foi a primeira novela a  ser vista em Portugal e a roupa de Gabriela era muito insinuante bem como o seu andar cadenciado e corpo fabuloso. E, depois, Jorge Amado...é Jorge Amado.

 

Quem não se deliciava com alguns dos seus romances, alguns deles proibidos antes do 25 de abril de 1974?! "Capitães da areia" era um deles.

 

Confesso, também, que uma destas noites vi um episódio de Remédio Santo.

 

Bom, dei umas boas gargalhadas.  Os personagens são de perder a cabeça a rir.

 

Existem para todos os gostos. 

 

                                             

A Rita Pereira, a má da fita, aparece para tomar o pequeno almoço como se estivesse vestida para um cocktail de fim de tarde.... e,  aquela cabeça, é um mundo de esquemas, vinganças, neuroses.

 

 

A Sofia Alves, veste-se sempre de branco e as peças que enverga parece que foram roubadas à arca de memórias das nossas bisavós...

Lindas, por acaso.

 

Mas para além disso, só casa com "Zés" ... e já ficou viúva três vezes. De Zés, claro.

 

Com o filho, cujo nome não recordo, tem uma ligação doentia, obsessiva.

 

 

A "Santinha da Luz" - Aurora do Rosário de seu nome -,  uma das personagens principais, também se veste de branco.

 

Reza, ajuda os fiéis e apaixona-se. Luta contra os sentimentos que começa a descobrir....Conseguirá?

 

Em contrapartida a avó (Manuela Maria) "zeladora" da sua santidade e do "negócio", veste o preto.

 

Olhando para as duas, temos o exemplo perfeito do binómio preto e branco, do negativo e do positivo, do "mal e do bem".

 

                                                             

 

As "beatas", no pior sentido da palavra, trajando à moda da aldeia, proliferam por ali e "fazem a vida num inferno" ao padre da paróquia que olha a "santinha" com  desconfiança, e se debate entre a fé que abraçou, os compromissos que assumiu e o passado... a paixão por uma amiga.

Gira, por acaso.

 

Essa "amiga", uma aristocrata com problemas financeiros, "para ganhar algum dinheiro" faz de carpideira em todos os funerais da pacata vila beirã.

 

Quem sabe por isso o seu guarda-roupa rivaliza com o da Rita Pereira...

Os decotes abundam, os saltos desafiam a lei da gravidade... os penteados seguem a tendência. 

 

 

 

Em Remédio Santo, o negócio dos funerais é hilariante.

Na mesma casa da agência - "Conforto Eterno" - existe um bar, fazem-se bailes para mulheres sós, gera-se intriga e confusão...recebem-se queixas sobre desvios à lei ou mortes inesperadas.

 

Ali habitam três irmãs com profissões e nomes que não deixam margem à fantasia: Maria dos Caixões, proprieária da funeráriatem uma técnica de marketing agressiva : "pague hoje e terá o descanso eterno assegurado"....; Maria Coveira, um pouco desajeitada, tanto cuida da moradas dos que partem para o oriente eterno, como limpa, obsessivamente, o pó da casa...;  Maria Polícia, uma agente da autoridade, cuida das suas armas, como de se filhos se tratasse, e tem uma linguagem especial. Ela afirma (e eu acredito!) que.... "resolverá todos os probleminhos"...!!!! São muitos, pelo que percebi.

 

Mas não só. Por ali cohabitam 2 sobrinhos, um deles presidente da junta de freguesia que "resolve tudo ao mais alto nível" e a Clarinha, cuja vida é dançar e ouvir música mas que parece ser a única a olhar a "família com olhos de ver". 

 

O apelo a uma certa magia das Beiras, simbolismo e crenças populares existe em dose qb, em Remédio Santo.

 

 

O "pastor Ângelo, cuja flauta tem poderes mágicos, provocando boas sensações em quem a ouve..." é exemplo disso, bem como " uma figura misteriosa, vestida de preto, encapuzada e munida de um cajado, que atravessa o rio durante a noite numa jangada, deixando cartas à porta de pessoas a avisá-las que morrerão no dia seguinte, mortes essas que se concretizam" ....e serão "investigadinhos com rigor" pela Maria Policia.

  

 

 Margarida Marinho, Violante, surge sempre elegantemente vestida. Aliás é a única que procura ( nem sempre o consegue ) adaptar o vestuário ao local onde reside, a aldeia do Mundão. Com um toque de "made in Spain", claro.

 

Remédio Santo fez-me rir, acreditem.

 

O insólito reina ali. Drama, comédia, intensidade e leveza, tradição, preconceitos e novas tecnologias dão as mãos.

 

Existem personagens que são uma caricatura quase perfeita de algumas figuras da sociedade portuguesa.

 

Digo-vos, queridos Amigos, que não sei como os actores conseguem gravar as cenas mais hilariantes. É que colocam qualquer um fora do sério...

 

Não sei quem é o autor, mas hei-de descobrir.

Nota-se que tem humor (trocadilhos constantes) e um sentido de crítica social fabulosos. Mas não só.

Conhece as tradições de algumas zonas rurais, disseca a vida, a maledicência, os jogos de aparência.

 

Em Remédio Santo, como sempre acontece,  "nem tudo o que parece é...".

 

Se vou acompanhar a novela?

Não. Só por mero acaso, como aconteceu ontem.

 

Quando voltar a acontecer vou rir, por certo. E "olhar com olhos de ver" o vestuário, a maquilhagem...imaginar os aromas que usam.

 

Os aromas e paisagens dos arredores de Viseu, conheço bem.

 

 

Uma palavra especial para os actores e para os responsáveis pelo guarda-roupa e cenários.

 

 

                                                               

 

Boas férias.

 

DIVIRTA-SE

 

Um abraço.