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Fragrâncias

Perfumes, Práticas e Discursos

Fragrâncias

Perfumes, Práticas e Discursos

ELE DISSE

 

 

 

 

 

É um fenómeno curioso: O país ergue-se indignado,

moureja o dia inteiro indignado,

come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.

 

Falta-lhe o romantismo cívico da agressão.

Somos socialmente, uma colectividade de revoltados”

 

Miguel Torga.

 

 

 

 

 

A saber:

Miguel Torga, poeta, ficcionista e ensaísta, é o pseudónimo literário do médico Adolfo Correia da Rocha, nascido em S. Martinho de Anta, Trás –os-Montes.

Aos 13 anos abandona o Seminário de Lamego para embarcar para o Brasil, onde vive cinco anos com um tio. Trabalha, em Minas Gerais, numa fazenda. 

Regressa a Portugal para materializar um sonho - ser médico.

Completa o liceu em 3 anos ( 7 anos!) e inscreve-se, em 1933, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Conclui o curso em 1936 e decide adoptar Coimbra como residência permanente.

 

(Ali o conheci.
Como médico, vizinho, participante de tertulias nos Cafés Brasileira e Arcádia, na baixa da cidade.
Eu...uma jovem em busca do seu "caminho". Sedenta de conhecimento, de alargar os "horizontes" numa sociedade fechada e conservadora.
Homem de poucas palavras, inteligência viva. Pensamento e sensibilidade profundas).
 

A partir de 1927,  Miguel Torga associa-se a José Régio, João Gaspar Simões, Casais Monteiro, Vitorino Nemésio, Branquinho da Fonseca,  Carlos Queiroz, entre outros  que, via revista Presença aderem à Revolução Modernista.

Em 1930, porém, rompe definitivamente com a Presença.

Associou-se às revistas Sinal e Manifesto. Por pouco tempo.

Concluira  "que a autenticidade poética é demasiado sublime e exige o máximo de pureza e fidelidade pessoal".

 

 

A partir daí, no seu monasticismo conimbricense, intentará "ser de todos", em vez de "camarada de poucos".

Dou a palavra a Sophia de Mello Breyner: "Poesia de resistência e cântico de liberdade, Diário (doze volumes publicados desde 1941) de "um contemporâneo de Hesíodo", que é também um comtemporâneo da "Morte de Deus" e do esmagamento do Homem por totalitarismos ferozes, toda a obra de Torga anseia pela descoberta de caminhos novos para o reino das coisas belas e possíveis, incluindo o amor entre os homens. Orfeu rebelde, e possíveis, incluindo o amor entre os homens".

 

Ou nas palavras de David Mourão Ferreira:  "Orfeu rebelde, Torga é a "reencarnação de um poeta mítico por excelência - daquele que vive na intimidade das forças elementares (a terra, o sol, o vento, a água) para celebrá-las com o seu canto - e alto exemplo de constante rebeldia, numa atmosfera que pretende afixiá-lo".

 

FOI BOM CONHECÊ-LO!