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Fragrâncias

Perfumes, Práticas e Discursos

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Perfumes, Práticas e Discursos

Até onde podemos contar com o nosso protector solar

 

 

Hoje decidi fazer um alerta e elucidar algumas dúvidas sobre os protectores solares e sua utilização.

Mas antes falemos do bronzeado…este é um marcador da agressão da pele pelo sol…custa ouvir esta mensagem, mas realmente o bronzeado resulta de um mecanismo de autoprotecção desencadeado na nossa pele, mais propriamente nos melanócitos, para nos proteger contra as agressões desencadeadas pela exposição intensiva ao sol.

 

Parte da imensa e complexa radiação solar, as radiações ultravioleta A (UVA) e B (UVB), podem modificar a estrutura da pele e induzir alterações cutâneas a curto prazo (queimaduras solares, bronzeado, hiperqueratinização, manchas castanhas), e alterações cutâneas a longo prazo (aceleramento do envelhecimento cutâneo relacionado com a idade, e cancros de pele). A protecção contra ambas as radiações UVA e UVB é muito importante, pelo que evitar a exposição solar, usar vestuário e aplicar correctamente os protectores solares constituem formas importantes para reduzir os efeitos a curto e longo prazo da radiação solar.

 

Embora seja maravilhoso aproveitar aqueles dias maravilhosos de praia, deveremos acima de tudo estar sensibilizados para o facto de que nenhum protector solar protege a 100% contra as radiações UV perigosas, e que uma protecção solar insuficiente implica graves riscos, como o já descrito tão grave e infelizmente tão frequente cancro cutâneo (os casos de cancro cutâneo praticamente duplicaram nos ultimos anos).

Por isso, hoje já não encontramos no mercado os chamados “écrans solares” ou protectores solares “totais” que induziam o consumidor em erro e que, desde a recomendação Europeia de 2007, foram considerados como induzindo o consumidor em erro, logo “banidos” do mercado.

 

O Factor de Protecção Solar (FPS) não deve ser interpretado como “… minutos a mais ao sol” ou “um protector … vezes mais poderoso”. O FPS ajuda o consumidor a comparar produtos e escolher o produto certo para uma dada exposição solar (que pode ser mais ou menos intensa, consoante a zona) e um dado fotótipo (próprio de cada pessoa). Na rotulagem deve constar a indicação do seu índice, realçando ainda a categoria de protecção solar: “baixa”, “média”, “elevada” ou “muito elevada”que lhe corresponde. Assim:

 

FPS 6 a 10: Protecção baixa

FPS 15 a 25: Protecção média

FPS 30 a 50: Protecção elevada

FPS superior a 50: Protecção muito elevada

 

 Um índice de protecção inferior a 6 não pode ser considerado na rotulagem como protector, e realmente na sua essência, será mais propriamente um bronzeador. Para além disso, para ir para a praia, considere a utilização de factor de protecção solar de pelo menos FPS15, deixe os índices inferiores para quando estiver mais bronzeada(o), ou para os horários em que a radiação é menos intensa.

 

Perguntamos ainda, porque é que acima de 50 não está instituído hoje colocar a numeração? Acima de FPS 50, a capacidade de protecção solar de um creme praticamente não aumenta, sendo que a numeração a partir deste valor induziria facilmente o consumidor em erro, que seria levado a pensar que um FPS 100 por exemplo protegeria o dobro de um FPS 50. Mesmo de um FPS 30 para um FPS 50 o aumento de protecção solar não é directamente proporcional ao aumento da numeração, aliás, a diferença é mais pequena do que a maior parte dos consumidores pensam !

 

Para além do que expus, queria realçar que tão importante quanto a escolha do produto é a sua correcta aplicação. Por exemplo, para se conseguir a protecção indicada no rótulo de cada produto como «Factor de Protecção solar», é necessária a aplicação de uma quantidade de 2mg/cm², que é a quantidade utilizada nos testes feitos pelos laboratórios para atribuir o factor de protecção solar a cada produto. Para ter uma ideia, este valor corresponde a cerca de 36 gramas de protector solar por área corporal de um adulto, ou seja mais ou menos 6 colheres de chá de protector solar. Espantada(o)?

 

 Mais…de notar que se a quantidade aplicada for reduzida, o nível de protecção será “significativamente inferior”, podendo mesmo haver um abaixamento da protecção solar para metade do índice protector se a camada for relativamente fina. E já agora, sabia que as pessoas aplicam em geral uma quantidade de protector solar de 0,5 a 1 mg/cm², ou seja uma quantidade que é cerca de metade do necessário por área cutânea?

 

Por tudo o que lhe deixei hoje como informação ("alerta")...protector solar? Use e abuse. Pela sua saúde, pense nisto.

 

Até breve!